Congresso de Liderança Política Feminina reúne 800 mulheres na Alesc

Numa ação conjunta com o objetivo de estimular e dar mais visibilidade à participação das mulheres na política, a Assembleia Legislativa e o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) abriram, na manhã desta quinta-feira (3), o Congresso de Liderança Política Feminina.

O evento de dois dias no auditório Antonieta de Barros é organizado pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira e Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina e reúne cerca de 800 mulheres em painéis que tratam desde a representatividade da mulher na política até os fundos públicos e o financiamento de campanhas femininas.

O presidente do TRE-SC, desembargador Cid Goulart Júnior, ressaltou a importância da participação da mulher nos pleitos, principalmente com o fim das coligações nas eleições proporcionais. “Nas próximas eleições, as mulheres terão relevância extraordinária, e sem elas não teremos eleições”, destacou o desembargador. “Este congresso tem por objetivo estimular a participação das mulheres de forma legal e de forma republicana.”

Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), o papel deste congresso e de demais eventos que virão no próximo ano é instruir as possíveis candidatas e orientar sobre os pormenores das campanhas, como o financiamento e as prestações de contas. “É preciso conhecimento para que a mulher participe mais. Já evoluímos bastante, mas agora é preciso informação. Vamos para o interior passar informação até os mais longínquos municípios de Santa Catarina.”

Na opinião do juiz diretor da Escola Judiciária, Wilson Pereira Junior, o congresso “demonstra a evolução do pensamento político” em Santa Catarina. “Estamos provando que vivemos num estado diferente. Nós vivemos numa sociedade machista, mas não estamos num ambiente machista. Queremos mostrar à sociedade, mas, principalmente, às mulheres, que não vivemos mais barreiras.”

A presidente da Escola do Legislativo, deputada Marlene Fengler (PSD), classificou a parceria entre Legislativo e Judiciário como “um marco, que vai fazer com que a gente tenha uma mudança muito grande e que será replicado em todas as regiões”. Para ela, a presença do TRE-SC estimula a maior participação das mulheres nos eventos. “Mulheres que são lideranças comunitárias, empresariais, que já fazem a diferença na sua vida pessoal e profissional, mas que ainda não se sentem encorajadas a participar da vida política. Esse tipo de trabalho vai atrair mulheres.”

A exemplo do presidente Julio Garcia, Marlene Fengler vê a informação como fator essencial na decisão de participar da vida política. “Se as mulheres não sabem que existe o recurso, o tempo na TV, como vai financiar a campanha?”, questionou.

É nesse momento que entram seminários como os de hoje. “É preciso promover o maior número de eventos como esse, divulgar isso na mídia. Além disso, também dentro dos partidos deixar muito claro que se não tiver mulheres, não terá chapa na eleição”, alertou.

A vice-governadora, Daniela Reinehr, representou o governador Carlos Moisés da Silva e incentivou as mulheres a buscar seu espaço na política. Daniela falou da experiência de “começar pelo topo”, já que a eleição passada foi a primeira que disputou, e disse a todas que aproveitem o pleito municipal de 2020, pois as eleições nas cidades proporcionam maior conhecimento dos problemas locais. “Eu conheço todos os municípios de Santa Catarina, mas é um conhecimento superficial. Na sua cidade, você tem condições de se aprofundar nas necessidades da população.”

Fim das candidaturas de laranjas
Uma das grandes preocupações é atrair as mulheres para a política e evitar o que se convencionou chamar de “candidaturas laranjas”, ou seja, mulheres que têm seu nome listado como candidatas apenas para preencher a cota mínima obrigatória de 30%. “O laranjal da eleição passada vai acabar. As decisões do TSE e dos TREs estão a demonstrar que não há mais espaço para isso”, afirmou o deputado Julio Garcia. “Colocar laranja para cumprir a legislação e a candidata não se apresentar, não aparecer, apenas cumprir um papel fictício, isso acabou”, garantiu o parlamentar.

Os parlamentares e os magistrados veem a criação da consciência política como a melhor forma de minimizar a possibilidade de que mulheres sejam usadas apenas para cumprir a cota. Para isso, outra parceria está sendo firmada entre Legislativo e Judiciário para, a partir de abril de 2020, oferecer cursos de formação política focados na atuação feminina.

“A Escola do Legislativo tem a capilaridade, e a do Judiciário tem as ferramentas, que sabe o que dizer a essas pessoas. Vamos criar polos no estado e capacitar as mulheres de forma política. Captação de recursos, como pode gastar, o que vem de recurso público e privado, como prestar conta disso, como fazer registro de candidatura, ou seja, levar as lições básicas de como se candidatar”, explicou o juiz Wilson Pereira Junior.

“A partir do momento em que a mulher tiver consciência que sem ela a política não anda mais, nós teremos paridade. É isso que o presidente Julio, o presidente Cid, a Escola do Legislativo e do Judiciário buscam”, completou o magistrado.

Marcelo Santos
AGÊNCIA AL